Alfredo Moreira Filho, empresário à frente do Grupo Valore+, também é autor de “Pequenas Histórias e Algumas Percepções”, combinação que, à primeira vista, pode parecer contraditória: afinal, por que alguém dedicado à gestão de negócios investiria tempo e energia em registrar, por escrito, aspectos da própria vida pessoal, longe de qualquer contexto profissional direto?
Duas identidades que raramente aparecem juntas
O mundo dos negócios costuma valorizar planejamento estratégico, indicadores de resultado e comunicação objetiva, características bem diferentes das exigidas para escrever um relato pessoal sobre memórias, sentimentos e percepções acumuladas ao longo de uma vida inteira de experiências pessoais e profissionais.
Justamente por isso, poucas pessoas associam naturalmente a figura do empresário à figura de quem escreve sobre a própria trajetória de vida fora do contexto profissional, caso de Alfredo Moreira Filho, como se as duas atividades pertencessem a universos completamente separados, distantes e incompatíveis entre si, sem qualquer ponto de contato possível.
O que realmente motiva empresários a escrever sobre a própria vida?
Depois de anos dedicados a decisões técnicas e estratégicas, muitos empresários sentem necessidade de refletir sobre a própria trajetória de vida em termos mais pessoais, processo que a rotina de gestão de um negócio raramente permite fazer com a mesma profundidade e tranquilidade necessárias. Reflexões desse tipo, mais demoradas, íntimas e pessoais, raramente encontram espaço em uma agenda cheia de reuniões, metas e prazos apertados. Escritas assim seguem outro ritmo, mais lento e menos preocupado com qualquer prazo externo imposto por terceiros interessados no resultado.
Escrever sobre a própria vida oferece espaço para esse tipo de reflexão mais profunda, permitindo que o empresário revisite decisões, relações e momentos importantes sem a pressão de produzir resultado imediato, exigência constante em qualquer negócio bem-sucedido conduzido no dia a dia de trabalho.
Por que os dois papéis não precisam se confundir na prática?
Ser empresário e ser autor de um livro de memórias pessoal são papéis bastante distintos que podem conviver na mesma pessoa sem que um interfira necessariamente no outro, já que atendem a propósitos diferentes: um busca resultado de mercado, o outro busca registro e reflexão pessoal profunda sobre a própria existência.
Alfredo Moreira Filho, fundador do Grupo Valore+, ilustra essa convivência entre papéis: a atuação empresarial segue sua própria lógica de mercado, enquanto o livro de memórias segue lógica pessoal, sem que um projeto precise necessariamente explicar, justificar ou depender do outro de qualquer forma direta ou indireta.
O que o público costuma esperar desse tipo de combinação incomum?
Quando um empresário publica um livro pessoal e voluntário, parte do público automaticamente espera encontrar ali lições de negócio, conselhos profissionais ou bastidores da carreira empresarial, expectativa que nem sempre corresponde ao que quem escreveu realmente pretendeu registrar naquela obra específica e pessoal.
Um livro de memórias pode, perfeitamente, tratar de assuntos inteiramente pessoais e íntimos, sem qualquer relação direta com a vida profissional de quem escreve, distinção importante para quem se aproxima desse tipo de obra já esperando encontrar ali conteúdo específico sobre gestão, liderança ou estratégia empresarial de qualquer natureza ou origem.
Duas trajetórias documentadas, cada uma de sua própria maneira
A trajetória empresarial de Alfredo Moreira Filho é documentada por resultados de mercado e pela atuação do Grupo Valore+; a trajetória pessoal, por sua vez, é documentada por “Pequenas Histórias e Algumas Percepções”, registro de natureza completamente diferente e de propósito bem distinto. Cada tipo de documentação exige linguagem, formato e propósito próprios, sem que exista qualquer necessidade real de traduzir uma na outra.
Juntas, essas duas formas de documentação bem distintas mostram como uma mesma pessoa pode deixar registros bem diferentes de sua passagem pelo mundo: um voltado ao mercado e à gestão empresarial, outro voltado à memória pessoal e às percepções acumuladas ao longo de toda uma vida. Nenhum dos dois registros substitui completamente o outro; cada um cumpre uma função própria e insubstituível dentro da trajetória completa de quem os produziu ao longo da vida.
