Dr. Lucas Peralles explica que comportamento alimentar raramente aparece como tema central nos processos de emagrecimento, mas é justamente onde muitos dos problemas têm origem. Comer além do necessário, buscar comida em momentos de estresse e perder o controle diante de determinados alimentos não são falhas de caráter. Fundador do Método LP e especialista em comportamento alimentar, ele trata essas questões como variáveis clínicas desde o início de cada acompanhamento na Clínica Kiseki, em São Paulo, porque ignorá-las é deixar intacta a principal razão pela qual os resultados não se sustentam.
Saiba mais a seguir!
Compulsão alimentar não é falta de força de vontade
A compulsão alimentar tem mecanismos fisiológicos e psicológicos bem definidos, e tratá-la como simples falta de controle é um equívoco que perpetua o problema. Do ponto de vista fisiológico, desequilíbrios glicêmicos, resistência à insulina e deficiências de serotonina e dopamina contribuem para episódios de compulsão, especialmente por carboidratos simples e açúcares. Do ponto de vista psicológico, a compulsão frequentemente funciona como estratégia de regulação emocional: uma resposta aprendida para lidar com desconforto, tédio, ansiedade ou estresse.
Tratar a compulsão apenas com mais restrição é uma das abordagens mais contraproducentes que existem, expressa Lucas Peralles. A privação intensifica o desejo pelos alimentos restritos, aumenta a ansiedade em torno das escolhas alimentares e cria as condições para episódios de exagero ainda mais intensos. O ciclo de restrição e compulsão não se quebra com mais disciplina: se quebra com compreensão dos mecanismos que o mantêm.
A história alimentar de cada pessoa também tem papel significativo. Crenças construídas ao longo da vida sobre o que é permitido e proibido, experiências de privação na infância e uma relação tensa com o próprio corpo são fatores que influenciam o comportamento alimentar de formas que nenhum cardápio consegue endereçar sozinho.
O que são gatilhos alimentares e como identificá-los?
Gatilhos alimentares são estímulos externos ou internos que disparam o comportamento de comer de forma automática, sem que haja fome fisiológica envolvida. Estresse, tédio, celebração, cansaço, cheiros, ambientes específicos e até horários do dia podem funcionar como gatilhos, dependendo dos padrões construídos ao longo da vida de cada pessoa.
O nutricionista esportivo Dr. Lucas Peralles trabalha o mapeamento dos gatilhos individuais como parte obrigatória do protocolo clínico. Sem identificar o que aciona o comportamento alimentar automático, qualquer estratégia nutricional opera sobre uma base instável: funciona quando os gatilhos não estão presentes e falha justamente quando mais precisaria funcionar.

Identificar um gatilho não significa eliminá-lo. Significa desenvolver uma resposta diferente para ele. Quando o paciente aprende a reconhecer que está comendo em resposta a ansiedade e não a fome, ele ganha a possibilidade de escolher como agir. Essa capacidade de escolha consciente é o que transforma um padrão automático em um comportamento que pode ser modificado.
Fome física ou emocional: como perceber a diferença?
A distinção entre fome real e fome emocional é um dos aprendizados mais importantes dentro de qualquer processo de recomposição corporal, ressalta Lucas Peralles. A fome real surge de forma gradual, está associada a sinais físicos claros e é satisfeita por uma variedade de alimentos. A fome emocional aparece de forma súbita, tende a ser específica para determinados alimentos e não desaparece com a ingestão, porque sua origem não é fisiológica.
A maioria das pessoas nunca foi ensinada a fazer essa distinção, e por isso responde a qualquer sensação de desconforto interno com comida. Desenvolver essa consciência corporal é um processo progressivo que acontece ao longo do acompanhamento clínico, e seus efeitos sobre a adesão alimentar e o comportamento em situações de vulnerabilidade são significativos. Os principais sinais que ajudam a diferenciar os dois tipos de fome incluem:
- Fome real surge gradualmente; fome emocional aparece de forma súbita e intensa
- Fome real aceita diferentes alimentos; fome emocional exige alimentos específicos
- Fome real desaparece com a ingestão; fome emocional persiste mesmo depois de comer
- Fome real está associada a sinais físicos como estômago vazio; fome emocional é desencadeada por estados emocionais
- Fome real não gera culpa após comer; fome emocional frequentemente vem acompanhada de arrependimento
Reconhecer esses padrões no próprio comportamento é o primeiro passo para desenvolver uma relação mais consciente com a alimentação.
Comportamento alimentar é onde o resultado se sustenta ou desmorona
Protocolos nutricionais tecnicamente perfeitos falham quando o comportamento alimentar não é endereçado. A compulsão, os gatilhos emocionais e a incapacidade de distinguir fome real de fome emocional são fatores que operam independentemente de qualquer cardápio e continuam operando enquanto não forem trabalhados de forma direta.
Lucas Peralles, nutricionista esportivo formado pela Universidade São Camilo, com pós-graduação em Bodybuilder e Nutrição Comportamental, resume que integrar o trabalho com comportamento alimentar ao protocolo nutricional é o que diferencia um processo que produz mudança real de um que apenas gera resultado temporário. Esse é o núcleo do Método LP e do trabalho conduzido na Clínica Kiseki. Para conhecer mais, acesse: https://www.clinicakiseki.com.br.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
