Em um mercado cada vez mais pressionado por metas climáticas, regulações ambientais e exigências de grandes redes varejistas, Elias Assum Sabbag Junior observa uma lacuna recorrente entre o discurso de sustentabilidade adotado pelas indústrias de transformação e a execução concreta de estratégias capazes de reduzir emissões de carbono de forma mensurável. Falar em pegada de carbono zero nas embalagens virou prática comum em relatórios corporativos, mas o detalhamento do caminho até lá ainda é tratado com superficialidade na maioria dos setores.
Os números justificam a urgência. Segundo o relatório Net Zero by 2050, da Agência Internacional de Energia, publicado em revisão de 2025, a indústria de transformação responde por cerca de 24% das emissões globais de CO², e o segmento de embalagens plásticas contribui de forma expressiva para esse total. No Brasil, o Plano Nacional de Transformação Ecológica já começa a impor exigências de rastreabilidade de emissões para empresas fornecedoras de grandes compradores institucionais, o que transforma a agenda de descarbonização de escolha estratégica em requisito de acesso ao mercado.
O que significa, de fato, carbono zero em embalagens?
A expressão “carbono zero” carrega uma ambiguidade que precisa ser resolvida antes de qualquer planejamento. Ela pode se referir à neutralização de emissões por meio de compensações externas, como créditos de carbono, ou à eliminação efetiva das emissões ao longo de toda a cadeia produtiva, abordagem conhecida como net zero, que exige redução real e verificável em todas as fases do processo.
Organizações como a Science Based Targets Initiative já estabelecem que empresas comprometidas com metas alinhadas ao Acordo de Paris precisam reduzir pelo menos 90% das emissões absolutas antes de recorrer a compensações residuais. Para indústrias de embalagens plásticas, isso implica revisar processos produtivos, matrizes energéticas e cadeias de fornecimento de forma integrada, o que torna o planejamento estruturado uma condição indispensável para qualquer compromisso público de descarbonização.
Mapeamento de emissões: o primeiro passo incontornável
Conforme detalha Elias Assum Sabbag Junior, empresário com atuação no setor de embalagens plásticas, nenhum roadmap de descarbonização produz resultados consistentes sem um inventário preciso de emissões. Esse mapeamento deve cobrir três categorias: as emissões diretas da planta produtiva, as geradas pelo consumo de energia elétrica e as distribuídas ao longo de toda a cadeia de valor, que incluem matérias-primas, transporte e destinação dos produtos após o uso.

Na prática, essa terceira categoria costuma concentrar entre 60% e 80% das emissões totais de uma indústria de embalagens, segundo dados do Carbon Disclosure Project publicados em 2025. Ignorar esse conjunto equivale a gerenciar menos de um terço do problema real. Ferramentas como o SimaPro e o OpenLCA permitem conduzir análises de ciclo de vida com nível de detalhamento adequado para orientar decisões de investimento com base em dados verificáveis.
Substituição de materiais e redesenho de embalagens
A escolha de materiais é uma das alavancas de maior impacto na redução da pegada de carbono. Resinas produzidas a partir de fontes renováveis, como o polietileno de cana-de-açúcar, apresentam pegada de carbono negativa na fase de produção, pois sequestram CO² durante o crescimento da biomassa. Segundo a Braskem, o material evita a emissão de 2,15 toneladas de CO² por tonelada de resina produzida em comparação ao polietileno convencional de origem fóssil.
Na avaliação de Elias Assum Sabbag Junior, as empresas que integram critérios de pegada de carbono já na fase de desenvolvimento de produto alcançam resultados muito mais expressivos do que aquelas que tentam compensar emissões geradas por projetos concebidos sem essa lente. Projetos de lightweighting, que reduzem espessura e gramatura sem comprometer a função protetora da embalagem, também diminuem o consumo de matéria-prima e o peso no transporte, gerando reduções em cadeia ao longo de toda a operação logística.
Energia renovável e logística reversa como pilares do roadmap
A transição da matriz energética industrial figura entre os componentes de maior impacto e maior viabilidade econômica no cenário brasileiro atual. O Brasil encerrou 2025 com capacidade instalada de energia solar e eólica suficiente para atender cerca de 45% da demanda industrial do país, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico. Contratos de longo prazo com fontes renováveis têm apresentado preços competitivos frente às tarifas convencionais, tornando a migração energética uma decisão simultaneamente ambiental e financeira.
Como observa Elias Assum Sabbag Junior, indústrias que combinam a transição energética com programas estruturados de logística reversa constroem uma base sólida para reduzir emissões em toda a cadeia. Tal como se apresenta no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, apenas 4% dos resíduos plásticos no Brasil tinham destinação adequada para reciclagem em 2024, o que evidencia tanto a escala do problema quanto a oportunidade concreta para empresas dispostas a estruturar circuitos mais fechados e rastreáveis.
O roadmap até 2030: como estruturar etapas com metas reais
Um roadmap realista precisa ser construído em fases com metas anuais verificáveis. A fase inicial, entre 2025 e 2026, deve concentrar esforços no inventário de emissões e na identificação dos pontos de maior intensidade de carbono. A fase intermediária, de 2027 à 2028, deve priorizar a substituição de energias fósseis, o redesenho de embalagens críticas e a formalização de parcerias de logística reversa.
Por fim, empresas industriais que estruturam roadmaps com metas intermediárias mensuráveis têm três vezes mais probabilidade de atingir seus objetivos climáticos do que aquelas que trabalham apenas com compromissos de longo prazo sem detalhamento de etapas. Na perspectiva de Elias Assum Sabbag Junior, o horizonte de 2030 é curto, mas suficiente para indústrias de embalagens plásticas que iniciem o processo agora com planejamento técnico rigoroso e metas atreladas a indicadores verificáveis.
Se sua empresa está estruturando sua estratégia ESG e quer transformar metas climáticas em resultados concretos, fale com um especialista e dê o primeiro passo com base em dados reais.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
