A mobilização de mais de 120 policiais militares especializados nas ruas de Manaus, em uma única noite, não é evento rotineiro. É sinal de que o estado enfrenta uma pressão de segurança pública que exige resposta coordenada, planejada e de alta capacidade operacional. Neste artigo, analisamos o que é a Operação Segurança Presente, quais tropas estão sendo empregadas, o que os resultados acumulados revelam sobre a dimensão do problema criminal no Amazonas, e por que operações dessa natureza, apesar de necessárias, precisam ser acompanhadas de estratégias de médio e longo prazo para produzir impacto sustentável.
Mais de 120 policiais das tropas especializadas da Polícia Militar do Amazonas iniciaram o reforço das ações da Operação Segurança Presente em todas as zonas de Manaus na noite de sábado, 30 de maio de 2026. O ponto de reunião operacional foi na sede do Comando de Policiamento Especializado, localizado no bairro Dom Pedro, zona centro-oeste da capital.
A operação não nasceu de forma isolada. Ela faz parte da estratégia integrada de segurança pública do Governo do Amazonas, em alinhamento com o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. As ações vêm sendo realizadas em Manaus e em todos os municípios do Amazonas, fortalecendo a atuação das forças de segurança nas principais rotas utilizadas pelo crime organizado no estado. Esse alinhamento federal é relevante porque indica que o Amazonas não está sendo tratado como caso periférico no mapa da segurança nacional. O estado é reconhecido como zona estratégica de enfrentamento ao crime organizado, o que justifica o nível de mobilização empregado.
O caráter especializado das tropas envolvidas merece atenção. Fazem parte do Comando de Policiamento Especializado as Rondas Ostensivas Cândido Mariano, a Companhia de Operações Especiais, o Grupamento de Manejo de Artefatos Explosivos, o Batalhão de Policiamento de Choque, a Companhia Independente de Policiamento com Cães e o Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo. Cada uma dessas unidades possui formação e equipamento específicos para situações que fogem ao policiamento ostensivo convencional. Mobilizá-las em conjunto, de forma direcionada à mancha criminal identificada no território, representa um grau de sofisticação operacional que vai além do simples aumento de efetivo nas ruas.
Ao todo, os 122 policiais militares foram empregados em 33 viaturas e 16 motocicletas, direcionados para áreas estratégicas identificadas pela mancha criminal, com o objetivo de garantir não apenas a sensação de segurança, mas uma segurança efetiva para a população amazonense. A distinção feita pelo comandante do CPE entre sensação de segurança e segurança efetiva é conceitualmente importante. Operações de visibilidade policial têm efeito imediato sobre a percepção de risco, mas o impacto real depende de como o efetivo é distribuído, quais abordagens são realizadas e o que é feito com as informações coletadas em campo.
Os resultados acumulados desde o início da operação dão dimensão da escala do problema. Desde o lançamento até o dia 29 de maio, a Polícia Militar do Amazonas apreendeu 67 armas, recuperou 32 veículos, capturou 75 foragidos, realizou 215 prisões por crimes diversos, além de apreender 1.882 munições e 2,6 toneladas de entorpecentes. A tonelagem de drogas apreendida, em particular, evidencia que Manaus não é apenas ponto de consumo, mas rota de distribuição de substâncias ilícitas com circulação em escala regional.
A segunda fase da operação foi iniciada em 11 de maio, ampliando as ações integradas das forças de segurança aos 61 municípios do interior do Amazonas. Esse dado é fundamental para entender a complexidade do desafio. Um estado com a extensão territorial do Amazonas, cortado por rios, com municípios acessíveis apenas por via fluvial ou aérea, representa um dos cenários logísticos mais exigentes para o policiamento no país inteiro. Levar a operação ao interior é operacionalmente custoso e institucionalmente necessário.
Operações de reforço ostensivo cumprem um papel inegável na contenção imediata da criminalidade e na recuperação de territórios dominados por facções. Contudo, sua eficácia de longo prazo depende de como o Estado preenche os espaços reconquistados. Presença policial qualificada, acesso à justiça, infraestrutura urbana e oportunidades econômicas para a população jovem são variáveis que determinam se a operação produzirá redução estrutural da violência ou apenas deslocamento temporário do crime para outras áreas. O Amazonas deu um passo operacional expressivo. O passo seguinte precisa ser igualmente robusto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
