A Assembleia Legislativa do Amazonas confirmou
Em sessão extraordinária realizada em 15 de julho, a permanência do deputado Adjuto Afonso, do União Brasil, no comando da Casa. Adjuto foi eleito com 19 votos a favor e 5 contrários, sendo o único candidato inscrito no pleito, que aconteceu por determinação do Supremo Tribunal Federal.
Por que uma nova eleição foi necessária
A eleição suplementar foi realizada depois que o ministro Flávio Dino atendeu a uma ação movida pelo partido Solidariedade. O ministro suspendeu a regra que permitia a posse automática do primeiro vice-presidente em caso de vacância no comando da Assembleia, determinando que a escolha fosse feita por votação em plenário, com participação direta de todos os deputados.
Adjuto já vinha exercendo a presidência de forma interina desde abril, quando o então presidente Roberto Cidade deixou o cargo para assumir o governo do estado. A tentativa de mantê-lo no posto sem nova eleição foi considerada irregular pelo STF, o que obrigou a Casa a convocar a sessão extraordinária mesmo em pleno período de recesso parlamentar, que começou em 1º de julho.
A votação e as divisões internas
Apesar do resultado favorável, a sessão deixou à mostra divisões dentro do parlamento estadual. As bancadas do PSD, presidido no Amazonas pelo senador Omar Aziz, e do MDB, liderado pelo senador Eduardo Braga, votaram contra a eleição de Adjuto. Os votos contrários vieram dos deputados Alessandra Campêlo, Mayra Dias, Rozenha e Wilker Barreto, do PSD, além de Thiago Abrahim, do MDB.
Os parlamentares que se opuseram criticaram a forma como a mudança no regimento interno havia sido aprovada anteriormente, sem debate mais amplo entre os deputados. A deputada Alessandra Campêlo chegou a afirmar que, apesar do apreço pessoal pelo colega, seu voto se baseou na defesa da independência do Poder Legislativo diante do que classificou como manobra política.
O pano de fundo eleitoral
O contexto político ajuda a explicar a tensão em torno da votação. Adjuto é um aliado próximo do governador Roberto Cidade, que deve disputar a reeleição neste ano justamente contra Omar Aziz, um dos principais nomes de oposição ao atual governo estadual. A votação na Assembleia funcionou, portanto, também como um termômetro das alianças que devem se consolidar na disputa pelo governo do Amazonas.
Eduardo Braga, que buscará a reeleição ao Senado, integra o bloco de partidos que apoia a candidatura de Omar Aziz ao governo estadual, o que reforça a leitura de que o episódio na Aleam é também um capítulo antecipado da disputa eleitoral de 2026.
Ao discursar após o resultado, o novo presidente da Casa buscou acenar aos parlamentares que votaram contra sua permanência. Ele afirmou que a Assembleia Legislativa não será um puxadinho do Poder Executivo estadual e prometeu conduzir o mandato com diálogo entre todas as bancadas, independentemente do posicionamento de cada uma na votação de quarta-feira.
Adjuto segue no cargo até 31 de janeiro de 2027, quando uma nova eleição para a Mesa Diretora deverá ocorrer normalmente, já sob regras revisadas conforme determinação do STF para a próxima legislatura evitar impasses semelhantes no futuro.
Fontes consultadas:
BNC Amazonas · O Antagônico · A Crítica · Estado Político
