O Polo Industrial de Manaus fechou os cinco primeiros meses de 2026 com faturamento acumulado de R$ 99,64 bilhões, o equivalente a US$ 19,26 bilhões, segundo dados divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus.
O resultado reforça o peso do modelo de incentivos fiscais da Zona Franca na economia amazonense, especialmente em um momento em que o setor enfrenta questionamentos judiciais vindos de outros estados do país.
No campo das exportações, as vendas externas do parque industrial somaram US$ 339,41 milhões entre janeiro e maio. Apenas em maio, o mercado externo respondeu por US$ 62,21 milhões desse total, um sinal de que a demanda internacional por produtos fabricados em Manaus segue relevante mesmo diante das oscilações do câmbio e da conjuntura global.
Emprego e força de trabalho no Distrito Industrial
No quesito emprego, o polo manteve um patamar considerado saudável pelos analistas do setor. A média mensal de trabalhadores ocupados no período ficou em 130.605 pessoas, número que ajuda a explicar por que o tema volta com frequência ao debate político em Brasília e por que qualquer mudança nas regras fiscais da região é acompanhada de perto por sindicatos e centrais de trabalhadores.
Para quem acompanha o dia a dia da economia amazonense, esse indicador funciona como termômetro direto do mercado de trabalho na capital. Boa parte dos empregos formais em Manaus está ligada, direta ou indiretamente, às fábricas do Distrito Industrial, o que faz da saúde financeira do PIM uma questão que ultrapassa o debate puramente econômico e chega à mesa das famílias amazonenses.
Os segmentos que puxam o faturamento
A distribuição por segmento mostra a diversidade da indústria instalada em Manaus. O setor de Duas Rodas liderou a participação no faturamento com 20,73% do total, seguido de perto por Bens de Informática, com 20,58%. Eletroeletrônico aparece na sequência, com 16,20%, e Químico fecha o grupo dos quatro maiores, com 11,05% de participação.
Completam a lista os segmentos Termoplástico, com 10,38%, Metalúrgico, com 8,67%, e Mecânico, com 6,42%. Juntos, esses sete setores formam a espinha dorsal do faturamento do polo e mostram como a matriz industrial de Manaus, historicamente associada a eletrônicos e motocicletas, tem se diversificado ao longo dos últimos anos.
O que foi produzido e o ritmo de crescimento
Na linha de produção física, os números também chamam atenção. Entre janeiro e maio foram fabricadas 1.004.301 motocicletas, motonetas e ciclomotores, além de 5.086.141 telefones celulares, volumes que colocam Manaus entre os principais polos de manufatura desses produtos no país.
Comparado ao primeiro quadrimestre, quando o polo já havia registrado faturamento de R$ 78,56 bilhões, um crescimento de 4,40% em relação ao mesmo período de 2025, o desempenho de maio confirma a trajetória de recuperação do setor após os anos mais desafiadores da pandemia e da crise de componentes eletrônicos que afetou a indústria global.
Para o superintendente da Suframa, os indicadores demonstram que o ambiente de negócios da região segue fortalecido e atrativo para novos investimentos, uma leitura que ganha ainda mais peso diante das disputas judiciais movidas por federações industriais de outros estados contra os incentivos fiscais da Zona Franca.
Fontes consultadas:
A Crítica · Ipesi · Portal Barelândia · Suframa
