Na visão de Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, a decoração de um ambiente não precisa ser pensada apenas a partir daquilo que os olhos conseguem perceber, como cores, móveis, objetos e revestimentos. A experiência de permanecer em um espaço também envolve outros sentidos, já que luz, textura, temperatura, sons e aromas podem influenciar a percepção de conforto, acolhimento e funcionalidade.
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Por que a iluminação muda tanto a percepção?
A iluminação é um dos recursos mais importantes para construir a atmosfera de um ambiente. Uma mesma sala pode parecer mais acolhedora, dinâmica ou impessoal dependendo da intensidade, da temperatura e da distribuição da luz. Por isso, o planejamento luminotécnico precisa considerar a finalidade de cada espaço, e não apenas a instalação de pontos de luz. Uma área destinada ao descanso, por exemplo, pode exigir uma solução diferente daquela utilizada em um local de trabalho ou convivência.
Daugliesi Giacomasi Souza pontua que a luz natural também desempenha um papel importante. Janelas, cortinas e posicionamento dos móveis interferem na entrada e na distribuição da claridade ao longo do dia. Em vez de tratar a iluminação como acabamento, o projeto pode incorporá-la desde o início, aproveitando as características do próprio imóvel. A posição dos ambientes em relação ao sol também precisa ser observada, já que a incidência luminosa varia conforme o horário e pode alterar significativamente a percepção do espaço.
À noite, diferentes fontes de iluminação ajudam a criar camadas. Uma luz geral pode garantir visibilidade, enquanto pontos direcionados destacam objetos ou áreas específicas. Já luminárias mais indiretas podem contribuir para uma atmosfera mais intimista. Essa combinação mostra como um recurso funcional também pode participar da experiência sensorial. Ao distribuir a luz de maneira estratégica, o projeto consegue valorizar elementos decorativos e, ao mesmo tempo, adaptar o ambiente às diferentes atividades realizadas ao longo do dia.
Como as texturas fazem o ambiente parecer diferente?
Daugliesi Giacomasi Souza destaca que a textura acrescenta uma dimensão que a imagem não consegue transmitir completamente. Madeira, pedra, tecidos, fibras naturais, cerâmica e superfícies com acabamento artesanal apresentam características distintas ao toque e também provocam diferentes percepções visuais. Quando combinadas, essas diferenças ajudam a evitar que o ambiente pareça excessivamente uniforme.

Uma sala composta apenas por superfícies lisas pode transmitir uma sensação diferente daquela que utiliza tapetes, cortinas, almofadas e revestimentos texturizados. Isso não significa que seja necessário preencher todos os espaços com materiais variados. O equilíbrio está em selecionar elementos que tenham funções complementares. Uma parede com textura pode ganhar destaque quando acompanhada por móveis de acabamento mais simples, enquanto tecidos macios podem equilibrar materiais visualmente mais rígidos, criando contraste sem comprometer a harmonia do conjunto.
O aroma também faz parte da decoração?
Embora não apareça visualmente, o aroma pode influenciar a memória e a percepção de um espaço. Certos cheiros são associados a sensações de limpeza, frescor, relaxamento ou aconchego. Por isso, fragrâncias podem complementar a atmosfera planejada para determinados ambientes, desde que sejam utilizadas com moderação. A escolha do aroma também pode considerar a finalidade do cômodo, criando uma experiência olfativa que acompanhe a proposta definida para aquele espaço.
O cuidado principal está em evitar que o perfume se torne dominante. Um aroma muito intenso pode causar desconforto e interferir negativamente na experiência. Além disso, ambientes diferentes podem pedir soluções distintas. Uma fragrância escolhida para uma sala de estar, por exemplo, não necessariamente produzirá o mesmo efeito em um quarto ou banheiro. A intensidade e a frequência de uso precisam ser observadas para que o cheiro complemente o ambiente sem se tornar o elemento mais marcante da composição.
Daugliesi Giacomasi Souza aponta, dentro da perspectiva da DGdecor, como esses detalhes podem ser considerados junto aos demais elementos do projeto. A ideia é que nenhum estímulo precise disputar atenção. Quando luz, materiais e aromas conversam entre si, o resultado tende a ser mais equilibrado. Essa integração permite pensar a decoração de forma mais ampla, considerando a experiência de quem utiliza o espaço e não somente aquilo que pode ser observado.
Para acompanhar outras ideias sobre decoração, interiores e construção de ambientes, é possível conhecer o trabalho de Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, e acompanhar seus conteúdos pelo Instagram @dgdecor.construir.
