Campanha começou oficialmente, propaganda na internet está liberada e horário eleitoral gratuito já tem regras definidas no Amazonas.
As eleições de 2026 chegaram a uma etapa que muda completamente a rotina política do Amazonas. Desde 16 de agosto, candidatos podem fazer propaganda eleitoral oficialmente nas ruas e na internet, depois do encerramento do prazo para registro das candidaturas em 15 de agosto. O início da campanha também colocou Manaus e os municípios do interior no centro de uma disputa que, além de governador, envolve senador, deputados federais e estaduais. (Justiça Eleitoral)
A mudança mais importante para o eleitor, entretanto, não é apenas a presença maior de candidatos nas ruas ou nas redes sociais. A partir de agora, mensagens políticas, vídeos, anúncios patrocinados, lives, pesquisas e conteúdos compartilhados em aplicativos passam a fazer parte de um ambiente eleitoral com regras específicas. No Amazonas, o TRE-AM também já definiu a ordem da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, criando um novo calendário de informações para quem pretende acompanhar o pleito. (Justiça Eleitoral)
O que mudou no Amazonas desde o início oficial da campanha
A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente em 16 de agosto, conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral. Isso significa que candidatas e candidatos podem apresentar propostas e pedir votos dentro das regras estabelecidas pela legislação, tanto em atividades presenciais quanto no ambiente digital. Antes dessa data, a divulgação eleitoral seguia restrições específicas e não poderia ser tratada simplesmente como campanha aberta ao eleitorado. (Justiça Eleitoral)
Para o eleitor amazonense, a principal consequência será uma presença muito maior da política no cotidiano. Caminhadas, carreatas, reuniões, material gráfico, comícios e publicações nas redes sociais passam a disputar atenção com o conteúdo habitual dos moradores de Manaus e do interior. A legislação também estabelece horários e condições para determinadas formas de propaganda, como o uso de alto-falantes e amplificadores, que podem funcionar entre 8h e 22h, respeitando as distâncias mínimas previstas em relação a hospitais, escolas, tribunais, quartéis e outros locais. (Justiça Eleitoral)
Outro ponto relevante está na internet. O TSE permite propaganda eleitoral em sites, blogs, redes sociais, aplicativos de mensagens e outras plataformas, desde que sejam respeitadas as normas eleitorais. Também está permitida a circulação de propaganda paga ou impulsionada na internet entre 16 de agosto e 1º de outubro. Para um estado de dimensões gigantescas como o Amazonas, esse ambiente digital pode ter importância particular, porque permite que informações políticas cheguem a eleitores de municípios distantes dos grandes centros. (Justiça Eleitoral)
A presença digital, porém, traz uma responsabilidade adicional para quem acompanha as eleições. O eleitor não deve considerar automaticamente verdadeira uma publicação apenas porque ela foi compartilhada muitas vezes ou apareceu em diferentes grupos. O próprio TSE atualizou as regras eleitorais para enfrentar desinformação e disciplinar o uso de inteligência artificial durante o processo eleitoral, tornando a verificação de informações ainda mais importante em 2026. (Justiça Eleitoral)
Por que o horário eleitoral merece atenção do eleitor
A propaganda eleitoral gratuita será outro marco importante da campanha no Amazonas. O TRE-AM realizou em 17 de agosto uma audiência pública para definir o plano de mídia e a ordem de veiculação dos programas e inserções destinados às eleições de 2026. A distribuição do tempo considera critérios previstos na legislação, incluindo a representação dos partidos e federações na Câmara dos Deputados. (Justiça Eleitoral)
O horário eleitoral tem uma função diferente das redes sociais. Enquanto plataformas digitais permitem que conteúdos sejam direcionados e compartilhados rapidamente, o rádio e a televisão seguem uma programação organizada pela Justiça Eleitoral e pelas emissoras. No Amazonas, isso é especialmente relevante porque o rádio ainda possui grande importância para alcançar populações que vivem longe de Manaus e em localidades onde o acesso à internet pode ser mais limitado. O TRE-AM informou que a propaganda eleitoral gratuita para o primeiro turno começa em 28 de agosto e seguirá até 1º de outubro. (Justiça Eleitoral)
Para o eleitor, acompanhar esse período pode ser uma oportunidade de conhecer propostas sem depender exclusivamente dos conteúdos que aparecem nos algoritmos das redes sociais. É importante observar não apenas slogans e promessas, mas também quais problemas são apresentados, quais soluções são propostas e se existem informações concretas capazes de explicar como determinada medida poderia ser executada. Essa leitura mais cuidadosa ajuda a transformar a propaganda em uma fonte de informação, e não apenas em uma sucessão de mensagens eleitorais.
Outro cuidado envolve as chamadas enquetes. Desde 16 de agosto, não é permitida a realização de enquetes relacionadas ao processo eleitoral, segundo as regras divulgadas pelo TSE. A restrição é diferente das pesquisas eleitorais registradas, que obedecem a requisitos próprios e podem ser divulgadas quando cumprem as exigências legais. (Justiça Eleitoral)
A distinção é importante porque as redes sociais costumam misturar pesquisa, enquete, opinião e levantamento informal. Um resultado publicado em um perfil ou grupo de mensagens não deve ser tratado automaticamente como retrato do eleitorado do Amazonas. Em um período de intensa circulação de conteúdo político, entender essa diferença ajuda a evitar interpretações equivocadas.
Como acompanhar a eleição no Amazonas sem cair em desinformação
A melhor forma de acompanhar a disputa será combinar diferentes fontes e conferir informações diretamente nos canais oficiais da Justiça Eleitoral. O TSE disponibiliza ferramentas para consulta de candidaturas e informações eleitorais, enquanto o TRE-AM concentra dados específicos da eleição no estado. O registro de uma candidatura, por exemplo, não significa automaticamente que ela tenha sido definitivamente deferida: os pedidos passam por análise da Justiça Eleitoral. (Justiça Eleitoral)
Esse detalhe ganha importância justamente porque o eleitor pode encontrar nas redes sociais informações apresentando candidaturas como definitivamente confirmadas quando ainda existem etapas judiciais pendentes. O prazo para apresentação dos pedidos terminou em 15 de agosto, mas a análise dos registros continua conforme os procedimentos eleitorais. Por isso, informações sobre situação jurídica, partido, cargo e candidatura devem ser conferidas nas plataformas oficiais antes de serem utilizadas como base para decisões ou compartilhamentos. (Justiça Eleitoral)
Também será necessário prestar atenção ao uso de inteligência artificial. As eleições de 2026 incorporam regras específicas para lidar com tecnologias capazes de criar ou modificar imagens, áudios e vídeos, justamente porque ferramentas de IA conseguem produzir conteúdos extremamente realistas. Em um ambiente político, uma montagem pode ser compartilhada em poucos minutos e alcançar milhares de pessoas antes que uma checagem consiga esclarecer sua origem. (Justiça Eleitoral)
Para o Amazonas, esse desafio ganha uma dimensão própria. A distância entre Manaus e muitos municípios faz com que grupos de mensagens e redes sociais tenham papel importante na circulação de informações locais. Uma informação falsa sobre saúde, segurança, obras, meio ambiente, transporte ou políticas públicas pode gerar consequências concretas mesmo quando não envolve diretamente a votação.
O calendário eleitoral ainda reserva outras datas importantes. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, enquanto eventual segundo turno para governador e presidente ocorrerá em 25 de outubro. Até lá, a campanha continuará ocupando ruas, rádios, televisões e plataformas digitais, aumentando a quantidade de informações que chegará diariamente ao eleitor. (Justiça Eleitoral)
O início oficial da campanha muda, portanto, mais do que a paisagem política de Manaus. Ele inaugura um período em que o eleitor terá acesso simultaneamente a propostas, propaganda, debates, vídeos, anúncios e informações compartilhadas nas redes.
Para quem vive no Amazonas, acompanhar esse processo exige atenção especial às fontes. A melhor proteção contra desinformação continua sendo verificar a origem de uma informação, consultar os canais oficiais e desconfiar de conteúdos que tentam provocar reação imediata sem apresentar contexto.
Com a campanha oficialmente nas ruas e na internet, a eleição deixa de ser apenas um assunto distante dos partidos e passa a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. No Amazonas, entender as regras e saber diferenciar propaganda, informação, pesquisa e conteúdo manipulado será tão importante quanto acompanhar os próprios acontecimentos políticos.
