A produção de café no Amazonas, embora tímida em comparação com outros estados brasileiros, enfrenta desafios que vão além das limitações naturais e logísticas. Em 2024, o estado registrou uma redução na produção de café robusta (conilon), totalizando 18,8 mil sacas beneficiadas, uma queda em relação ao ano anterior, quando a produção foi de 19,1 mil sacas. Esse declínio reflete a complexidade do cultivo de café na região, que tem sido afetada por uma combinação de fatores climáticos adversos e dificuldades logísticas. No entanto, apesar da queda na produção, a produtividade por hectare teve um aumento considerável, o que indica avanços técnicos nas práticas agrícolas.
Embora a área plantada tenha permanecido estável, com 528,6 hectares em ambos os anos, o salto na produtividade foi notável. De 27,94 sacas por hectare em 2023, a produtividade aumentou para 35,57 sacas por hectare em 2024, o que representa um crescimento de 27,3%. Isso demonstra que, apesar das dificuldades, os cafeicultores estão conseguindo melhorar suas práticas agrícolas e alcançar melhores resultados dentro das condições limitantes que enfrentam. Porém, essa melhoria na produtividade não foi suficiente para compensar totalmente a queda na produção total, que está intimamente ligada a fatores climáticos e logísticos, como o aumento das temperaturas e as dificuldades de transporte na região.
O impacto das condições climáticas no Amazonas tem sido um dos principais fatores para a redução na produção de café robusta. O calor excessivo registrado em 2024 afetou a produção de diversas culturas na região, como o açaí, cupuaçu e frutas nativas, conforme afirmado pelo pesquisador Edson Barcelos, da Embrapa Amazônia Ocidental. Esse aumento de temperatura, associado a mudanças climáticas mais amplas, tem gerado incertezas para os produtores, que precisam adaptar suas técnicas para lidar com essas condições. Para muitos pequenos produtores do Amazonas, o cultivo de café é uma alternativa econômica importante, mas o cenário climático continua a ser um desafio constante.
Embora o Amazonas tenha uma participação modesta na produção nacional de café robusta, o estado representa uma região estratégica para a cafeicultura brasileira. Em 2024, o Amazonas contribuiu com apenas 0,13% da produção nacional de café robusta, enquanto estados como Espírito Santo, Bahia e Rondônia dominam o mercado. O Espírito Santo, por exemplo, concentra cerca de 94% da produção nacional, destacando a força dos estados tradicionais nesse setor. Mesmo com esse pequeno volume, o Amazonas busca fortalecer a cafeicultura como uma alternativa econômica, associando o cultivo do café à bioeconomia e práticas sustentáveis.
O mercado global de café tem sido um fator importante para a valorização do café robusta no Amazonas. Em 2024, o preço pago aos produtores do estado foi de R$ 1.200 por saca, o que representou um aumento significativo em comparação com o ano anterior. Esse aumento no preço reflete a alta demanda global por café robusta, especialmente no mercado asiático, onde o conilon tem uma demanda crescente. No entanto, é importante destacar que estados como Rondônia e Espírito Santo, com uma infraestrutura de produção mais consolidada, receberam preços médios mais elevados, acima de R$ 1.900 por saca.
Para o futuro da produção de café no Amazonas, será necessário enfrentar desafios relacionados à infraestrutura e logística, que ainda são limitantes para os produtores locais. As dificuldades de transporte e acesso ao mercado nacional tornam o processo de comercialização do café mais complexo, o que impacta diretamente os custos de produção e a competitividade do estado. Por isso, investir em melhorias logísticas e tecnológicas se torna essencial para expandir a participação do Amazonas no mercado nacional e aumentar a rentabilidade dos cafeicultores.
A sustentabilidade também se destaca como uma oportunidade para a cafeicultura no Amazonas. Com o aumento da conscientização sobre práticas agrícolas sustentáveis, o estado tem a chance de se posicionar como um produtor de café com compromisso ambiental. A integração de práticas sustentáveis no cultivo de café não apenas contribui para a preservação ambiental, mas também atende à crescente demanda de consumidores que buscam produtos produzidos de maneira ética e responsável.
Apesar das dificuldades enfrentadas pela produção de café no Amazonas, o aumento da produtividade por hectare em 2024 indica que há um potencial significativo para o crescimento da cafeicultura na região. Se as condições climáticas permitirem e os produtores continuarem a adotar novas tecnologias e práticas agrícolas, o estado pode ver um aumento gradual na sua participação na produção nacional. Contudo, será fundamental o apoio contínuo das autoridades, pesquisa e políticas públicas que incentivem o setor, além da necessidade de fortalecer a logística e infraestrutura para tornar a produção de café no Amazonas mais competitiva no cenário global.
Em resumo, a produção de café no Amazonas em 2024 apresenta uma realidade complexa, com desafios significativos, mas também com oportunidades de crescimento. O aumento da produtividade e a valorização do café robusta indicam que, mesmo em face das dificuldades, o setor está em constante evolução. Para os próximos anos, é fundamental que o estado invista em tecnologia, logística e práticas sustentáveis, garantindo que a produção de café no Amazonas se fortaleça e ganhe maior relevância no mercado nacional e internacional.
Autor: jhony petter